Por Amabilie Mendes, egressa do curso de jornalismo

Utilizar o espaço acadêmico para discutir as questões étnico-raciais é valoroso. Ainda mais quando sou atingida diretamente nesse requisito. Colocar o negro num ambiente intelectualizado como as universidades é pautar e produzir reflexões com embasamentos teóricos com engajamento e interesse de findar as diferenças sociais constituídas a partir do racismo. O meu Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado em junho/2017, falava sobre essa perspectiva do negro enquanto um intelectual, dentro do universo “nerd”.

Obtive muitos motivos para realizar a pesquisa, mas o fato de ser negra e perceber o quanto as pessoas estranham em nos ver em espaços, como a sala de aula do Ensino Superior e cargos de chefia serviram de grande impulso.

Depois das pesquisas e o embasamento teórico precisei dar vida ao projeto e para isso gravei todas as entrevistas com um aparelho celular;  improvisei tripé composto de um bastão retrátil de selfie anexado em uma base de garrafa, e como diria a minha orientadora Profª. Msª. Isadora Camargo, isso é uma prova que o valor está no conteúdo e não simplesmente na alta tecnologia.

Precisei ir até a cidade satélite (Brasília) para conversar com Anne Caroline Quiangala, criadora do blog “Preta, Nerd & Burning Hell”, que foi uma das personagens centrais do meu trabalho devido ao recorte que ela faz da perspectiva do nerd negro. Além disso, também conversei com Mariana Santiago, publicitária formada pela UNB que teve como resultado de graduação um artigo sobre o Batman. Também estive em Campinas para conversar com Lucas Felix criador do canal Black Cosplayers (atualmente Blerd World) que entre outros assuntos conta a trajetória de heróis negros e para o embasamento teórico conversei com o sociólogo e professor Márcio Macedo que ilustrou o porquê não visualizarmos com naturalidade positiva heróis negros, já que o individuo negro é constantemente associado a adjetivos negativos. Um aprendizado mútuo que resultou no produto final com todos os depoentes negros, e cada um com uma fala contribuinte para a pesquisa.

Em três meses, os vídeos do webdocumentário disponíveis no youtube e no site, já somam 354 visualizações. É possível acessar através do endereço: www.blacknerdsbrasil.com.

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