Texto e Fotos Andreza Oliveira*

 

Atingindo a capacidade máxima de público, no dia 26 de março o auditório Nelson Carneiro da FMU Liberdade, recebeu o evento: Construindo conhecimentos sobre países africanos de língua portuguesa. Organizado pelo Núcleo de Estudos Étnicos Raciais, o NERA, que é encabeçado pela professora da FIAMFAAM Dra° Maria Lúcia da Silva, teve por objetivo ampliar o conhecimento sobre educação, turismo, artes e cultura africana, visto a baixa compreensão que os brasileiros têm acerca do continente, e que influencia na reprodução de certos estereótipos que não condizem com a realidade.

Emmanuel Rocha, cônsul de Cabo Verde

Estiveram na roda de debate os cônsules de Angola, Joaquim Augusto Belo Mangueira, e Cabo Verde, Emmanuel Rocha, além dos professores da FMU Maria Cecília Martinez, do curso de História, e Paulo Watanabe, de Relações Internacionais, além do jornalista e representante da COJIRA/SP, Flávio Carrança, um dos autores da obra Espelho infiel, o negro no jornalismo brasileiro. Durante as apresentações, o Cônsul Emmanuel Rocha, falou sobre a história de Cabo Verde e a relação existe com o Brasil, além da exibição de vídeos sobre o turismo do país e dos incentivos educacionais existentes por lá. Segundo ele, é importante esse tipo de discussão para que o brasileiro entenda de onde veio: “Cabo verde é muito pouco conhecido pelos brasileiros e existem laços históricos importantes que precisam ser ditos. É preciso explicar que o Brasil também descende de Cabo Verde e graças a isso é que existe a população brasileira”.

Joaquim Augusto Belo, cônsul de Angola

Sobre o Angola, o cônsul Belo Mangueira apresentou dados que demonstraram os altos índices educacionais no país africano e da preocupação em erradicar o analfabetismo, do incentivo a formação de adultos. Ele comenta que um dos maiores interesse do Estado é aumentar a qualidade dos professores, e também, da criação de bolsas de estudos para angolanos, sejam elas internas ou externas: “Em 2017 o governo angolano estabeleceu um convênio com as maiores universidades do mundo como: Cambridge e Oxford, com objetivo de enviar estudantes angolanos, com certo nível de escolaridade, para fortalecer a investigação científica a nível do corpo docente angolano” diz o cônsul.

O professor Paulo Watanabe, fez referência a importância de se conhecer melhor os países do continente africano e aprofundar estudos sobre política externa brasileira. Informou que foi durante o governo do presidente Lula que mais se abriu embaixadas no território africano e houve uma política de investimento e formação de novos embaixadores pelo Ministério das Relações Exteriores e o Instituto Rio Branco visando esses postos. Assinalou ainda, que nesse momento  começou-se a desenhar de fato uma política externa especialmente com os países africanos de língua portuguesa.  A professora Maria Cecília Martins abordou como a história dos povos que não vem de uma tradição europeia são excluídas no Brasil, mas que uma conquista grande do Movimento Negro é a obrigatoriedade do ensino sobre a África nas escola: “Nós temos muito mais em comum com a África do que normalmente nos é ensinado”, diz a historiadora. Ela lembrou também a importância da Lei 10639 que obriga os diversos níveis de ensino estudar historia da áfrica e da diáspora. O jornalista Flávio Carrança reforçou a informação de que há uma reprodução estereotipada pelos meios de comunicação a respeito da África, e que a presença do estereótipo também está ligada ao desconhecimento.

Alunos dos cursos de Relações Internacionais, História, Ciências Sociais e Comunicação Social do Complexo FMU no evento: Construindo conhecimentos sobre países africanos de Língua Portuguesa

Finalizando o evento, aberto a estudantes e ao público geral, os participantes fizeram perguntas sobre política externa, educação e desenvolvimento tecnológico. Foi levantada a questão sobre como funciona o combate a intolerância e desigualdades sociais no país africano, dando como exemplo os problemas que ocorrem no Brasil. Emmanuel explicou que, tendo todas as riquezas levadas pelos portugueses, a forma que Cabo Verde encontrou em recuperar essa perda era investindo no intelecto das pessoas: “É importante que se diga que em Cabo Verde não há nenhum tipo de intolerância, seja ela religiosa, política de gênero ou racial. Por conta da mistura que foi feita, aprendemos a respeitar a opinião de todos.”, afirmou o Cônsul de Cabo Verde.

O cônsul de Angola, Belo Mangueira foi o que recebeu maior número de questões da platéia e disse que o Brasil tem que rever sua política externa para os países africanos, e entre elas a de que o BNDES possa retomar com os investimentos no continente africano.

 

*Andreza Oliveira é aluna do 8° semestre do curso de jornalismo do FIAMFAAM

 

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