Considerada uma das maiores atrizes atuais por obter a “Tríplice Coroa de Atuação”, Viola Davis brilha como advogada criminalista em “How to get away with murder”

Por Fabíola Tarapanoff

“Não sei o que de ruim fizeram na vida até hoje. Mas não têm um bom carma, pois terão aula comigo.” Com essas palavras, a personagem Annalise Keating, professora de Direito da Universidade de Middleton e advogada de defesa criminal entra em sala de aula, chamando a atenção dos alunos com sua metodologia pouco convencional. Annalise não ensina a leis aos alunos, mas a usá-las na prática, em um tribunal, como verdadeiros advogados. Também os instiga com uma tarefa em que escolhe alunos que trabalharão com ela, em que eles têm de defender um cliente acusado de homicídio. Eles devem contradizer as vítimas, introduzir novos suspeitos e esconder evidências. Polêmica, a série How to get away with murder (Como sair impune de um homicídio) e que ganhou o infame título no Brasil de Lições de um crime, quando exibido pela Rede Globo em 2017, traz essa temática, questionando sobre limites éticos na carreira jurídica.

Na série que faz sucesso na Netflix, Viola Davis, brilhante no papel que lhe rendeu o prêmio Emy, o mais importante da televisão norte-americana, como “Melhor Atriz”, seleciona cinco estudantes para auxiliar na resolução de casos: Wes Gibbins (Alfred Enoch), Connor Walsh (Jack Falahee), Michaela Pratt (Aja Naomi King), Laurel Castillo (Karla Souza) e Asher Millstone (Matt McGorry) para trabalhar com seus funcionários, Frank Delfino (Charlie Weber) e Bonnie Winterbottom (Liza Well).

Ao buscar resolver os crimes, suas vidas têm uma verdadeira reviravolta, quando um assassinato que estavam investigando leva a outro assassinato e agora estão envolvidos no crime.

Na segunda temporada, após passaram por momentos traumatizantes, a equipe passa a investigar o caso de Caleb e Catherine Hapstall, que são acusados no envolvimento da morte de seus pais adotivos. Wes vai se unir com o irmão adotivo de Rebecca para tentar encontrá-la depois de seu desaparecimento, enquanto Connor tem problemas de relacionamento com Oliver e Asher é obrigado a trabalhar com a promotora Emily Sinclair. O grupo ainda vai enfrentar um novo problema, que acaba sendo fatal para um deles.

Já na terceira temporada, os alunos de Annelise tentam tocar suas vidas e um novo mistério surge em torno de um incêndio na casa da professora, sendo que uma pessoa é encontrada morta. O evento ocorre relacionado ao fato de Annelise começar a frequentar uma clínica e lutar contra o alcoolismo. Mas nem tudo é tragédia, há espaço para boas notícias: Oliver passa a trabalhar com Annelise e deixa Connor, que é aceito em Stanford. Além disso, o relacionamento entre Micaela e Asher progride, assim como o de Wes e Laurel e Frank busca ajudar na resolução da morte do filho de Annalise.

A quarta temporada foi exibida em setembro do ano passado e mostra Annalise retornando à casa de sua família após a morte de seu filho, tentando reconstruir sua vida. Ela deve tomar uma decisão difícil. Um crime trágico ocorre e todos são suspeitos e Laurel e seu bebê vão lutar por sua vida. Já foi confirmada nova temporada para 2018, o que mostra o sucesso da série. Cada temporada tem entre 13 e 15 episódios, para que possa acompanhar a movimentada agenda de Davis.

Criada por Peter Nowalk e com produção executiva de Shonda Rhimes, a série é distribuída pela ABC e foi transmitida pela primeira vez em 2014. Inspirada, a atuação de Viola Davis, ganhadora do Oscar de “Melhor Atriz” por Um limite entre nós (Fences) em 2017, recebeu elogios da crítica e ela foi a primeira mulher afro-americana a ganhar um Emmy Award por “Melhor Atriz em Série Dramática” e dois SAG Awards por “Melhor Performance em Série Dramática” e o Image Award por “Melhor Atriz em Série Dramática”.

Graduada pela prestigiada Julliard School em 1993, Davis começou atuando em peças de teatro e papéis coadjuvantes no cinema. Entre os primeiros papéis de destaque estão em Kate & Leopold (2002) e na peça King Hedley II, pelo qual ganhou o Tony Award de “Melhor Atriz Coadjuvante” com a personagem Tonya. Em 2010, recebeu seu segundo Tony Award de “Melhor Atriz Principal em Peça” com a peça Fences, que depois lhe renderia um Oscar no cinema.

Um dos papéis mais memoráveis é o do filme Histórias cruzadas (The help), em que interpreta uma empregada doméstica nos anos 1960 nos EUA, em uma sociedade racista e preconceituosa. Pela bela atuação, foi indicada ao  Oscar de “Melhor Atriz”, ao Globo de Ouro de “Melhor Atriz – Drama”, BAFTA de “Melhor Atriz” e venceu o SAG Award de “Melhor Atriz Principal”. Em 2016, ainda atuou como a vilã Amanda Waller em Esquadrão Suicida.

Com o desempenho em Um limite entre nós, em 2017, ela se tornou juntamente com Whoopi Goldberg uma das poucas atrizes negras a obter a “Tríplice Coroa de Atuação” (em inglês: Triple Crown of Acting). Trata-se de um termo usado para descrever atores que receberam os prêmios de maior prestígio nos três meios: cinema, televisão e teatro, respectivamente com o Oscar, Emmy e Tony. E ela não para por ai: neste ano já estreou Two-Sides, uma série de documentários que explora a brutalidade da polícia contra a comunidade afro-americana. Nada mal para uma garota que nasceu na fazenda de seu avô, na Carolina do Sul e que conquistou as telas do cinema e o mundo com suas personagens fortes e decididas e que se mantém sempre fiel às suas origens.

 

 

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