Jackline Venceslau e Sara Nayara

Orientação: Professor Eduardo Viné Boldt*

 

A ideia de usar o espaço que tínhamos na disciplina de Fotojornalismo para trazer essa discussão sobre o feminicídio e o genocídio negro surgiu de uma conversa entre nós, enquanto lamentávamos a execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março deste ano. Esses temas sempre foram presentes em nossos diálogos, pois são pontos de identificação para nós: duas jovens negras, da periferia, bolsistas universitárias.

 

Acompanhamos no decorrer dos dias o caso, as manifestações no Rio de Janeiro, em São Paulo, portais de jornalismo como Ponte, Nós, Mulheres da Periferia e a partir desta discussão, começamos a pensar em como poderíamos alimentar essa luta e de qual forma contribuiríamos com nossas vozes para que esses gritos por justiça pudessem ser ouvidos. Foi então que nos lembramos da proposta de aula do professor Eduardo Viné Boldt, de Fotojornalismo, que consistia em aprender técnicas de iluminação e depois da explicação, colocaríamos em prática fotografando uns aos outros.

Reunimos todas as mulheres da nossa turma (010205A18 – 5º semestre de Jornalismo) em um grupo de WhatsApp e fizemos uma proposta: nos vestiríamos de preto, faríamos placas com frases sobre estes temas e usaríamos durante o ensaio. Para nossa surpresa, todas aceitaram e abraçaram a causa.

A cada minuto chegavam mais ideias, mais frases, estatísticas e índices assustadores sobre mulheres assediadas, violentadas, jovens negros mortos e vítimas de preconceito, que nos impulsionaram mais ainda a realizar este ato. Recebemos total apoio do professor Eduardo que nos abriu este espaço e, com certeza, fez toda diferença saber que podíamos contar com ele e com a sua aula para nos expressarmos de tal forma.

Ao chegarmos ao estúdio e ver as demais outras colegas, todas de preto, ali percebemos o quanto nossa união estava forte e iriamos realizar um ato resistente e muito digno. Todas estavam muito entusiasmadas, foi interessante que cada frase nas placas, de alguma forma, trazia uma identificação para cada uma delas.

Começamos as fotos e nossos colegas de turma se sensibilizaram também, tiraram diversas fotos, nos davam ideias dentro dos diferentes cenários, foi um envolvimento coletivo e o professor no decorrer do ensaio ia mediando, a todo o momento dissertando sobre a causa da ideia, gerando conversas entre as fotos sobre os temas levantados.

Ao final da aula, o resultado, além destas fotos incríveis que vocês estão vendo, foi a percepção da sororidade feminina, a importância da causa, do movimento defendido por nós naquele estúdio e principalmente a liberdade de expressão que, como estudantes de jornalismo, precisamos para batalhar pelos direitos humanos atualmente.

Contribuímos de uma pequena forma, nos envolvemos nessa luta que é diária e recorrente, como estudantes e futuras jornalistas continuamos acompanhando o caso de Marielle e Anderson, até o dia de hoje. O tardar da justiça e da resolução é lamentável, mas prosseguimos nesta causa da maneira que podemos, pois podemos a qualquer momento sermos as próximas Marielles.

A luta de Marielle foi e seguirá como um exemplo para todas nós. A resistência e defesa das mulheres, negros, pobres, a comunidade LGBTQ+ e as demais minorias políticas segue viva e não morrerá nunca. Marielle Vive!

*Trabalho desenvolvido no primeiro semestre de 2018.

Leave comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *.