Uma análise da luta de Negros e Negras para sua inserção na política brasileira e as dificuldades mais decorrentes tanto em âmbito eleitoral, quanto em âmbito político e com influência no cotidiano é tema de encontro realizado em São Paulo

Texto: Ana Luiza Souza Mazzari*

Foto: Michelle Tyler**

No último dia 15 de setembro, a rede antirracista Quilombação organizou um seminário intitulado Negros e Negras na Conjuntura Política e Eleitoral, o que fazer?. Compuseram a mesa a professora da Universidade Federal Fluminense Flavia Rios, o cientista social e membro do grupo Kilombagem Deivison Nkosi, a bióloga, integrante e gestora do Núcleo de Consciência Negra da USP (NCN) Maria Jose Menezes e o chefe de Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo Dennis de Oliveira que também é membro do coletivo ativista antirracista Quilombação. Cada um deles, abordou em sua fala e dentro de sua área de estudo, fatores que dificultam a inserção do negro na política brasileira.

A primeira com a palavra foi Flavia Rios, falando sobre algo que ela mesma denomina como “desdemocratização da sociedade”.  Sua explanação girou em torno de mostrar o quão difícil é a inserção dos grupos tidos como minoria dentro da política. Ela citou que não havia dados recolhidos pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) antes de 2014 sobre o negro na política, além do fato de por serem uma população, como Flávia diz “descapitalizada”, não somente do ponto de vista socioeconômico, mas também educacional, os partidos ainda impunham barreiras que favorecem certos perfis, criando ainda mais empecilhos para a inserção do negro.

Deivison Nkosi chamou a atenção para a associação entre capitalismo e racismo, além de criticar a relação esquerda-direita. Para ele, nos primórdios, a esquerda viria como contraposição ao capitalismo, fato que não é mais uma verdade dentre as esquerdas brasileiras. A ideia de o capitalismo atingir diretamente o negro vem do fato de eles serem os que mais sofrem com o processo – cada vez mais frequente – da terceirização do trabalho, sem deixar de falar que grande parte dos milhões de desempregados atualmente no Brasil, são negros.

Já Maria Jose Menezes (Zezé) parte para uma vertente mais voltada à biologia, sua área de formação. Zezé destaca um fato alarmante, no qual dentro de aproximadamente dois anos, o Brasil ter perdido anos de avanço no que diz respeito a vacinação infantil. Em sua fala relatou que a taxa do Brasil nos anos anteriores a 2016, girava em torno de 95% a 98% de cobertura vacinal e agora caiu para 50%, um problema de saúde pública que implica diretamente àqueles que não possuem condições de pagar para se vacinar, que são parte das populações mais carentes, justamente onde grande parte dos negros brasileiros se encontram.

O Professor Dennis de Oliveira destacou a importância da luta pela representatividade do negro na mídia diante das manifestações da sociedade sobre a mais recente novela do horário nobre da TV Globo que se passa na Bahia – local majoritariamente formado por negros – e não mostra essa população. No entanto, o pesquisador ressalta que “não é a presença de atores ou de atrizes na novela da Globo que vai resolver nosso problema, afinal, o racismo não é uma questão comportamental, não é uma questão objetiva é um problema de estrutura.

O seminário contou com a participação de cerca de 40 pessoas que assistiram, opinaram e questionaram sobre o tema abordado. Houve também a venda de livros como Frantz Fanon – Um revolucionário particularmente negro de Deivison Mendes Faustino e A Luta Contra o Racismo do Brasil, escrito por Dennis de Oliveira que compunha a mesa e Tatiana Oliveira jornalista e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Integração da América Latina (PROLAM) da USP, a mediadora.

Caso queira ver o seminário na integra, acesse o link:

https://www.facebook.com/RedeQuilombacao/videos/vb.1403686446536171/268915057070111/?type=2&theater

*É aluna do quarto semestre do curso de Jornalismo e monitora do Nera.

**É aluna do sexto semestre do curso de Jornalismo e monitora do Nera.

 

Leave comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *.