Na Semana de Pedagogia, alunos e professores participaram de intervenção para pensar nos novos desafios educacionais para a formação docente 

Por Redação AICom

O Núcleo de Estudos Étnico-Raciais (NERA) e a Escola de Musicoterapia realizaram mais um parceria, desta vez durante a Semana de Pedagogia. As professoras Maria Lucia da Silva ( Jornalismo e NERA) e Maria Carolina Simões dos Santos (Musicoterapia) falaram sobre projetos de formação de identidade e as intervenções de musicoterapia como oposição ao racismo.

A coordenador adjunta dos cursos de Pedagogia, Ciências Sociais, Geografia e História, Silvana Alves Freitas lembra que a Semana de Pedagogia, que tem como temática “50 anos de tradição e novos desafios”, está comemorando os 50 anos da FMU e do curso. “É uma semana muito especial, não são tantos cursos com tantos anos e com tanta história para contar.”

Sobre a participação do curso de Musicoterapia, Silvana enfatiza a importância da intervenção para os novos desafios educacionais na formação docente de pedagogas e pedagogos e também para o curso, para a promover uma formação que esteja de acordo com as necessidades das escolas.”

Para a professora Maria Carolina: “A musicoterapia pode promover a uma reflexão sobre o assunto [racismo]. A utilização da música como fator de transformação pessoal , para gerar melhoria neurológica, psicológica, social, comunitária, promover insights e transformações no indivíduo e na comunidade”.

Ela e a musicoterapeuta Thais Cruz realizaram uma intervenção durante a Semana, construindo bonecas abayomis. Além de conhecer as história das bonecas, por cerca de 1 hora, alunos e professores presentes aprenderam a fazer a boneca. “As abayomis eram bonecas de pano, feitas pelas mães nos navios negreiros que vinham para o Brasil. Com a longa viagem, as crianças ficavam tristes, choravam, e as mães rasgavam pedaços da saia e criavam essas bonecas para os filhos, com cinco pontos de amarração. E, dizem que, cada vez que a mãe dava um nó para a criação da boneca, ela desejava uma coisa boa para o filho, porque ela sabia que quando chegassem no Brasil, seriam separados. A boneca normalmente é feita do tamanho da palma da mão para que não fossem arrancada delas pelos capatazes. Alguns historiadores, inclusive, dizem que muitos irmãos se encontraram porque reconheceram o tecido da saia da mãe numa abayomi”, explicou Thais Cruz.

Ao falar sobre a formação de identidade, Maria Lucia destaca a importância de falar sobre raça e identidade para futuros professores. “Na sala de aula, muitas vezes, não temos profissionais preparados para essa conversa sobre identidade. Precisamos entender para onde e como caminhamos [nesse assunto] nessa sociedade.”

Ela enfatiza a importância da Lei 10.639/03 (que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas redes públicas e particulares da educação), que trata as questões de forma certa e ética. “Precisamos debater o papel do educador neste mundo, como tratamos professores e alunos e os cuidados em ter essa identificação”, enfatiza Maria Lucia.

A coordenadora de Pedagogia corrobora e finaliza: “Por isso a importância da formação de hoje, que foi uma formação da construção da identidade negra já com as futuras docentes para que possam fazer o mesmo com seus alunos nas escolas”.

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