Texto e fotos Ana Luiza Mazzari [1]

Desde 2002 o Instituto Feira Preta promove em São Paulo um evento com o intuito de reunir, em especial, a população negra de variados setores como arte, gastronomia, moda, comunicação entre outros para promover maior visibilidade para o afro-empreendedorismo brasileiro.

A Feira acontece em São Paulo nos dias 18, 19 e 20 de novembro, na Avenida São João, na região central da capital. No segundo dia do evento além de um variado e grandioso número de stands de venda, a feira ainda contou com palestras e oficinas como a de fotografia ministrada por Roger Cipó fotógrafo-pesquisador, educador social, candomblecista e militante contra os crimes de intolerância religiosa e racismo, que em sua fala buscou acima de tudo mostrar como “o racismo foi se apoiando na fotografia, ou a fotografia se apoiando no racismo para escrever a história dos povos brasileiros”.

       Roger Cipó fotógrafo-pesquisador

Roger Cipó aborda também em sua fala que “nesse processo de fotografia no Brasil, para os negros, a fotografia ainda não via humanidade nesses corpos, a fotografia ainda estava demonstrando objetos de posse de alguém (…) porque o processo de escravização tira a humanidade desse alguém”. E diz que “isso também ocorre hoje com a sexualização dos corpos negros, da ‘globeleza’ ou do homem todo musculoso que estampa as capas de revista” e termina sua oficina com a mensagem de que “é importante, nós, negros e negras nos olharmos no espelho e nos amarmos, amar nosso corpo, nosso cabelo, tirar uma foto e nos elogiar”.

O evento ainda contou com variados stands de venda de roupas, acessórios, decoração para a casa, comida entre outros. Marcia Regina, expositora do stand GISA BALBINO e vendedora da feira preta há 17 anos, ou seja, desde sua primeira edição diz que “É uma integração, é uma oportunidade que nós negros temos de mostrar o nosso trabalho, nos destacar como profissionais, e eu acho importante, é um espaço para todos”.

                                    stand GISA BALBINO

Miriam Santos Alves, participante do evento acredita que “a feira tem uma função muito importante que é dar visibilidade para pequenos negócios, principalmente entre pessoas negras, que estão relacionados aos artesanatos, projetos manuais, trazendo visibilidade e conectando tudo isso ao universo afro da música por exemplos, sendo extremamente importante para  dar esse upgrade no empreendedorismo negro”.

No local havia também atrações como yoga, aula de ritmos afro-latinos, stand up, mostra audiovisual, palestras sobre impacto social, curadoria e diversidade e moda que empodera, além de mentoria coletiva sobre moda e Stylist com Jason Cambell.

Fabiola Barbosa, que visitou a Feira pela primeira vez, teve uma boa impressão e gostou do que viu. “Estou gostando da feira, é bem organizada, um pouco apertada, mas está bem bonito e bem legal.” Além disso, “a feira Preta é um canal de visibilidade, de ressaltar a cultura negra, eu acho importante as outras pessoas que não conhecem, estar conhecendo. Eles trazem tecido, maquiagem apropriada que muitos negros não tem acesso, por não terem o conhecimento, acredito que seja um canal ,eles trazem essa visibilidade para as outras pessoas estarem conhecendo muito mais da nossa cultura.”

Para o encerramento, 20 de novembro, dia da Consciência Negra, atrações como Rincon Sapiência e Elza Soares que cantarão no palco principal são o destaque a partir das 18:20. A entrada é gratuita.

[1] É aluna do quarto semestre do curso de Jornalismo e monitora do NERA.

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