Evento aconteceu no dia 30 com o lançamento do livro Racismo Recreativo, relançamento da Coleção Feminismos Plurais e show com As Bahias e a cozinha mineira com participação especial Paula Lima

Gabriela Barbosa*

Iuri Lima**

Terça feira a noite (30/4), véspera de feriado e aproximadamente 800 pessoas presentes na biblioteca do Centro Cultural São Paulo (CCSP) para o lançamento do livro Racismo Recreativo de Adilson José Moreira. Inclusive, algumas pessoas chegaram a ficar seis horas na fila para garantir lugar entre os 100 primeiros e ter direito a ganhar um exemplar do livro.

Além do lançamento o evento também contou com uma festa de relançamento da coleção Feminismos Plurais, projeto coordenado pela filósofa e escritora Djamila Ribeiro, pocket show com As Bahias e a cozinha mineira com participação especial da cantora Paula Lima. Ao final, os presentes puderam participar de uma sessão de autógrafos com os autores da coleção.   

Adilson José Moreira é mestre doutor em Direito Constitucional Comparado pela Faculdade de Harvard, bacharel em Direito e Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, pesquisador visitante na Faculdade de Direito da Universidade de Yale, (2002-2003), professor da Faculdade de Direito da Universidade Mackenzie e especialista em Direito Constitucional Comparado, Hermenêutica Constitucional, Direito Anitidiscriminatório, Psicologia Jurídica, Direitos Humanos, Direitos de Minorias, Sociologia Jurídica e Políticas de Diversidade.

 “Quando falo de racismo recreativo estou falando de um projeto racial especificamente brasileiro, é um tipo de promoção da opressão e da marginalização característica do Brasil. A ideia da democracia racial tem sido uma narrativa utilizada por pessoas brancas para dizer ´eu posso cometer qualquer tipo de racismo, brincadeiras etc., que isso não expressa o fato de que eu não gosto de negros´. Um dos objetivos do racismo recreativo é o seu caráter estratégico, as pessoas utilizam do humor racista para manter uma posição boa de si mesmas, mas ao mesmo tempo expressar condescendência, desprezo e ódio por grupos minoritários. ”, disse no início da noite.

O autor comentou que deu início a pesquisa e ao livro quando teve conhecimento de um caso de injuria racial, no qual a pessoa acusada foi absolvida. “Maria era faxineira de um restaurante na cidade de São Paulo, seu gerente ordenou que ela comprasse frutas para o estabelecimento. Uma mulher branca aproximou-se quando ela estava pagando a mercadoria e disse que ela deveria ter muitos macaquinhos em casa porque estava comprando uma grande quantidade de bananas. Maria entendeu que foi vítima de injuria racial, chamou a polícia e processou essa senhora. O Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou que o incidente não poderia ser classificado como crime de injuria racial pois não houve intenção de ofender a honra da vítima, pelo contrário, o comentário não seria uma expressão racista, mas uma tentativa amistosa de interação social com a vítima por meio do humor.”

Show As Bahias e a cozinha mineira com participação especial Paula Lima

Após a conversa com o autor, foi a vez do grupo As Bahias subirem ao palco para dar início à festa de relançamento da coleção Feminismos Plurais. A apresentação contou com as músicas “ Das Estrelas”, “Fumaça” e “Ó Luz”.

Quando a cantora Paula Lima subiu ao palco o público foi à loucura, cantando grandes sucessos como “Zé do caroço”, “Olhos coloridos “ e “Pagu”, a cantora também fez um discurso de resistência e feminismo.

A Coleção Feminismos Plurais é um projeto independente e que, em um ano, conseguiu publicar seis títulos, com autoras e autores comprometidos não somente com o rigor científico, mas com a transformação social. Os livros possuem linguagem didática e preços acessíveis, é coordenado por Djamila Ribeiro e conta com os autores convidados Adilson José Moreira, Carla Akotirene, Djamila Ribeiro, Joice Berth, Juliana Borges e Silvio Luis de Almeida.

Encerramento

Ao final das apresentações o público pode comprar os livros da coleção e os autores se reuniram para uma sessão de autógrafos.  

* Aluna do 4º semestre do curso de Jornalismo e monitora do Núcleo de Estudos Étnicos-Raciais (NERA)

** Aluno do 6º semestre do curso de Publicidade e Propaganda e monitor do Núcleo de Estudos Étnicos-Raciais (NERA)

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