Autobiografia conta a comovente infância de advogada inglesa

Por Luana Losimfeldt [1]

Quando você pensa no gênero de autobiografia, o que vem a sua mente? O gênero pode se apresentar em diversos formatos, mas o que todos têm em comum é o desejo do autor de narrar sua história, ou parte dela. Constance Briscoe foi movida pela vontade de mostrar as marcas que uma infância cruel deixou em sua vida, lançando sua biografia na Inglaterra em 2006.

Feia – A história real de uma infância sem amor (Bertrand, 2009), é uma daquelas leituras rápidas que você termina em um ou dois dias. As 364 páginas trazem uma história que emociona e nos prende até o final.

Constance Briscoe se tornou, com esforço e perseverança, uma (das primeiras) juíza negra do Reino Unido, mas sua biografia passa apenas rapidamente por esta parte de sua vida. Utilizando-se do ponto de vista de si mesmo quando criança, a advogada mostra em detalhes o sofrimento causado por sua mãe, Carmem. Essas características tornam esta obra indispensável para todos os amantes de drama, biografias e contos de superação lerem uma vez na vida, independente de idade e classe social.

O Livro, Ugly (2006) no original, se passa em uma Londres dos anos 60 onde até os 12 anos Constance achava que seu nome era algo como Clare, Clear ou Cleary. O apelido derivava do fato de sua mãe a considerar invisível (transparente) – só descobrindo sua verdadeira identidade na escola. Clare sempre ouviu de todos o quanto era feia e suja e isso se enraizou nela de tal forma, que um dia decidiu se “limpar” tomando alvejante, o que quase a matou.

Mas Carmem Briscoe-Mitchell não era cruel com todos os seus filhos, ela reservava os atos mais duros (humilhação verbal e física) para Clare. A criança sofria tanto em casa – onde vivia com sua mãe, seu padrasto e seus irmãos e irmãs – que seu pai omisso, George Briscoe, acabava sendo seu porto seguro em suas raras visitas.

Aos 13 anos, Clare foi deixada para viver praticamente sozinha em sua casa, com mais duas irmãs, enquanto o resto de sua família se mudava. Depois deste momento ela aprendeu a viver por conta própria, trabalhar e pagar as contas.

A leitura não só é tocante, mas também importante a partir do momento que aborda assuntos como laços familiares, racismo, superação e abuso físico e emocional de uma criança. Como em toda biografia você inicia sabendo como vai ser o fim, no entanto, a grande questão é saber como a “feia” Clare se transforma na advogada Constance. Para os interessados, o livro pode ser facilmente encontrado em bibliotecas e livrarias.

[1] Aluna do sexto semestre do curso de Jornalismo e estagiária da Agência Integrada de Comunicação (AICom).

[*] Texto foi produzido originalmente para o site da AICom.

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