Os cursos de Artes Visuais e Design em parceria com o NERA – Núcleo de Estudos Étnico-raciais promove o evento Sankof-arte: Encontros Visuais com as Ancestralidades Africanas que conta com a exposição visual / virtual de trabalhos de discentes e egressos da FMU – FIAM-FAAM Centro Universitário.

Como parte da simbologia Adrinkra, Sankofa é representado por um pássaro com a cabeça voltada para sua cauda, representando a sabedoria de retornar ao passado e encontrar-se com suas raízes e ancestralidades. Neste horizonte, os trabalhos versam sobre a dimensão poética acerca das ancestralidades africanas presentes nas raízes de diferentes artistas e discentes, tanto na dimensão visual, quanto em seus depoimentos acerca de suas obras. Desejamos bons encontros em sua visita! Asé!

Abaixo, confira as falas dos alunos que participaram da mostra:

“A pintura propõe o resgate da leveza, mãos limpas e coração puro. Minhas relações com a ancestralidade é vivenciada através do plantio, da pintura e da busca espiritual dentro da casa Africana Rastafari.” Jah Preto (Ademar Marques Oliveira)

“Este trabalho é uma imersão ao mundo de jovens negros e periféricos, que costuma trazer questões relacionada ao cotidiano  social e vulnerável. Nosso país  e rico em fauna e flora, fortes em simbologia místicas e signos. Utilizando deste assunto o busco a fusão de dois temas extremamente parecidos: o mundo selvagem e  a nossa sociedade. Os personagens costumam trazer a tona algumas discussões relacionada aos nosso problemas sociais como  racismo, educação, apropriação cultural  e desvalorização  cultural periférica. Umas das referências destes trabalhos é o zoomorfismo, encontrados nas obras egípcia que traz a ideia do meio homem e bicho como força, e se  comparado com o instinto animal. Além de ações autobiográficas do meu cotidiano”. Dego (Iommi Edgar de Souza Lopez)

“As obras “Selvagens”, através da arte do graffiti, na qual proponho uma reflexão a respeito da forma do ser humano pensar sobre si mesmo e suas relações sociais. Os trabalhos que apresento aqui, quase nenhum outro existe sozinho. Ele é parte de um conjunto de criações e estudo, que vem se desenrolando e se ramificando há alguns anos, estes conjuntos de estudos, lida com a questões do corpo negro e realidade social. Utilizo a figura zoomórfica que propõem imagens de intensas significação social. Um menino negro com a cabeça de animal, essa figura é quase sempre representada por um menino com cabeça de pássaro – ou se quisermos um pássaro com corpo de menino, para relacionar e expressa o instinto animal ao modo de agir humano.” Dego (Iommi Edgar de Souza Lopez)


“No início de 2020 dei partida a uma série de trabalhos intitulada AfroBlue, a qual me permiti desenvolver pinturas e gravuras. O título da série veio a mim pela canção de John Coltrane, um brilhante músico negro nascido na década de 20 na Carolina do Norte. Deste ponto comecei a observar como a música negra influência meu trabalho. E é debruçado em letras de Rap, discos de jazz e samba que crio. Estou lhes enviando, Afro Blue III, um trabalho que acredito sintetizar essas ideias. Uma xilogravura baseada nas personagens dançantes de Heitor do prazeres compositor, cantor e pintor carioca nascido em 1898, apenas uma década após a abolição. Na imagem, uma cabeça solta, grita a plenos pulmões, Afro Blue, enquanto outros dançam a seu lado, separados apenas pela cor, como Erykah Badu descreve em sua versão da canção: “Elegant boy/Beautiful girl/Dancing for joy/Delicate whirl/Shades of delight/Cocoa hue/Rich as the night/Afro Blue“” Lucas Rafael de Almeida Branco

“Toda memória em um corpo deve ser questionada. Não acredito em nada insondável. Articular memórias arquivadas em tecidos e objetos sagrados da cosmologia Bantu, ao processo de criação e experimentações, é o que possibilita a roda da ancestralidade girar até aqui. No giro da Interseccionalidade, é que se escapa para fora da projeção linear y colonial. O pensando daquilo que vem a ser um corpo masculino dentro da perspectiva colonial, é fruto caído do desejo narcisista de uma sociedade hetero-compulsória. Que primeiro opera suas estratégias no campo da visualidade e se concretiza nos regimes gestuais, onde ‘meninos usam azul’ e ‘não rebolam’. O corpo colonial, antes de qualquer coisa, foi transformado em máquina e sendo máquina, foi programado para o exercício diário de se fazer esquecer. Ora da lembrança do seu potencial em se articular e se transmutar no gingado espiralado, que possibilita a sua fuga para fora do campo das projeções da binaridade, noutra da capacidade de coabitar dois ou mais gestos dentro do tempo-espaço. Quem fixou em meu corpo a primeira memória? Quem desenhou y projetou em minha pele essa gestualidade com gosto de pedra? Quem disse que cintura não mexe? Quem adoeceu o meu quadril? Quem petrificou as minhas articulações? Para não esquecer e responder a todas essas perguntas, é que se dança. Dançando, continuamente, eu me curo. E para não esquecer Joãozinho da Goméia y Madame Satã, é que se dança mais ainda. Cotidianamente percorrendo praças e ruas, cruzando as esquinas, andando como quem carrega água na bacia. Aguando o pó” Messias Souza

“Vem da força de representar as mulheres negras, símbolos de resistência e herança cultural. Fortalecendo e reverenciando suas trajetórias e seus grandes feitos para a comunidade negra. –diáspora africana – Trazer elementos do candomblé e mostrar a culinária africana, baiana e afro-brasileira, exaltando a criatividade e os meios que essas grandes mulheres encontraram para fortalecer e firmar seus conhecimentos ancestrais, valorizando sempre os alimentos e dando grande importância à terra, de onde a grande maioria tirava o próprio sustento”. Dennis Prado

“Sou uma Odeci (filha de Oxossi), sou iniciada a 10 anos. A minha vivência e experiência numa Comunidade Tradicional de Terreiro de Matriz Africana me inspiram a criar, estudar e pesquisar essas vivências em coletivo, vivencias espirituais e de filosofia e a partir disso criei a série “ORIxás” faz parte de estudo e pesquisas de elementos, técnicas, composições e desenhos gráficos voltados para minha espiritualidade e conexão com a minha ancestralidade”. Damaze Lima

“Acredito na arte como ferramenta que reflete, modifica. Minhas obras são caligrafia, graffiti, performance (Live painting), artes visuais. Percebi que isso fazia parte da minha ancestralidade existindo em mim, depois de algumas conversa com minha mãe, que nordestina e negra. Aprendi sobre afeto real, sobre guerrear sem se afetar, sobre paciência, sobre diversidade.
A obra 4P, fala sobre as mulheres pretas que influenciaram e que influenciam seus países com Força e Garra como mostra subliminarmente a obra”. Jefferson Bezerra

“No quadro está retratado três pessoas pretas. A esquerda, um garoto preto, que seria a juventude preta, a nova geração. Ao centro, uma mulher preta sentada no trono, que significa a origem da vida, a matriarca, a fonte de tudo. A direita, um homem preto, sobre um significado paterno, de apoio e comunidade. Todos os personagens fazem parte de um ambiente afro futurista, um ambiente onde eles não sobrevivem, mas sim, vivem. São respeitados, tem sua cultura de origem preservada, são reis e rainhas etc…” Bruna Stephani

“A preocupação e estudos de Milton Santos com o meio físico-natural inspiraram esta representação. O papel de espada de São Jorge utilizado neste trabalho foi feito em oficina com um coletivo de artistas pensando a arte, a ciência, a ecologia e a economia criativa. O retrato de Milton Santos evoca seus ideais da força do território e sua dimensão humana em oposição aos efeitos perversos da globalização”. Gustavo Palermo

“Desenvolvo um trabalho sobre o corpo dentro das noções de espaço e tempo e suas relações como manifestações culturais e político-sociais; Em processos decoloniais (sendo eu, um corpo negro), exploro as relações dos eixos de pesquisa criando corpos que buscam aliadxs, novas possibilidades, formas, e que buscam novos caminhos para o inconsciente. A partir desse processo de busca e pesquisa, produzo trabalhos como artista interdisciplinar e multimeio, explorando os campos da performance, escultura, audiovisual, pintura e desenho, elaborando obras que possam estar inseridas nelas os conceitos dos meus pensamentos como indivíduo.
O trabalho se origina de aproximações com as obras de Malick Sidibé (1935 – 2016), fotógrafo retratista de Yallankoro-Soloba, no Cercle de Yanfolila, na região de Sikasso, no sul do Mali – África do Norte. A pintura, assim como as fotografias de Malick, trazem o corpo negro em suas afetividades e entrelaços sociais, os corpos biomorfos retratando as performidade e as relações criadas pelo espaço-tempo”. Pedro Martins

Comissão organizadora: Virgínia Pereira Cegato Bertomeu, Maria Lúcia da Silva, Karin Vecchiatti, Beatriz Santana, Moacir Simplício, Renan Vieira Andrade, Euclides Santos, Leonardo G. Gomes e Carolina Barbato.

Curadoria: Moacir Simplício, Renan Vieira Andrade e Leonardo G. Gomes.

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