Por Samantha Rubio*

Com a pandemia da COVID 19 a educação superior foi profundamente prejudicada. Estudos indicam que milhares de alunos interromperam os cursos, outros simplesmente deixaram de pagar e outros nem mesmo ingressaram no ensino superior.

Neste contexto, o painel intitulado “Efeitos da pandemia da COVID no acesso e permanência no ensino superior para a população negra”, mediado pela procuradora do trabalho Danielle Corrêa, veiculado no primeiro dia de AfroPresença na trilha Sociedade, propôs debater os efeitos da pandemia para a população negra inserida no ensino superior e traçar caminhos para que a permanência no mesmo seja garantida.

Grandes facilitadores do acesso da população negra e de baixa renda em programas de ensino superior, os programas de financiamento vêm sofrendo cortes já há algum tempo. Convidado da mesa de debates, o professor Raphael Vicente explica: “essa mudança drástica de financiamento público vem refletindo seus efeitos. E ficou ainda mais evidente com a pandemia”.

Com os cortes de gastos e redirecionamento de verbas, a pandemia ainda trouxe o sistema se educação EAD, que se tornou uma obrigatoriedade. “As universidades públicas não estavam preparadas para o que aconteceu”, diz Acácio Sidinei Santos, pró-reitor da UFABC, “e duvido que seja possível pensar em alguma universidade que estivesse preparada”.

Assim, o sistema remoto contribuiu para expor ainda mais esse abismo sociocultural, uma vez que a população mais vulnerável não tem garantia de acesso a um bom computador, celular, uma rede e um pacote de dados que os permitam o acompanhamento adequado da aula, o que passa a pesar no orçamento. Conforme dito pelo professor Raphael: “a população mais vulnerável tem que fazer uma opção: ou se sustentar, ou manter seus estudos”.

Cada pessoa tem seu papel na luta pela equalização do ensino superior e pela inclusão cada vez maior de negros e da classe mais vulnerável. É necessário que os líderes olhem para as diferenças, “se não pressionar e construir formas para que os estudantes permaneçam no ensino superior, dificilmente nós teremos resultados exitosos”, conclui o professor Weber Góes. 

Para que esses objetivos sejam atingidos e a desigualdade reduzida, o professor Weber sinaliza que é importante, “denunciar o máximo possível o quanto o estado brasileiro tem escanteado a educação enquanto capital fundamental não só para enriquecer a produção de conhecimento, mas também como forma de garantir e minorar as desigualdades, inclusive étnico-raciais”.

*Aluna do 3º semestre do curso de Jornalismo.

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