Curta-metragem sobre violência de Estado, é tema da primeira mostra de cinema do mês da consciência negra

Myllene Jesus*

Exibição do curta-metragem, Entre nós e o mundo, de Fábio Rodrigo, foi tema de abertura de mais uma atividade do mês da Consciência Negra, cuja categoria é “Mostra Taturana de Cinema Negro – democracia e antirrascismo”, que teve como convidada Livia Almendary, cofundadora e diretora do Instituto Taturana.

A Taturana é uma distribuidora de filmes focada, principalmente, em documentários voltados ao assunto de impacto social, sendo alguns deles, raciais, gênero, assuntos socioambientais e indígenas. Além de trabalhar com uma distribuidora de filmes, não em um circuito tradicional, atuam para que o cinema seja democratizado e acessado por todos com campanhas de impacto (potencializando os temas que esses filmes abordam) e difusão social. “Precisamos descolonizar o olhar. Pensar como filmes feitos por pessoas negras e indígenas constroem outras matrizes, de representação de mundo, experiência e vivências”, declara Livia Almendary. Em sua segunda edição, a Taturana realiza, também, o projeto de articulação com trabalhadores e multiplicadores para usar o cinema como ferramenta em seus espaços.


Livia Almendary, cofundadora e diretora do Instituto Taturana

O curta exibido e debatido nesse primeiro dia da mostra, foi produzido por Fábio Rodrigo, e tem suas raízes em um ocorrido em uma comunidade da Vila Ede. Erika, mãe de três filhos, enxerga seu futuro incerto quando se vê grávida e tem que lidar com a dor de ter perdido um de seus filhos em uma abordagem policial.

O ocorrido que teve como vítima um rapaz negro de dezesseis anos, mostra o futuro incerto de ser uma pessoa negra em uma sociedade cheia de preconceitos, preconceitos esses que são mostrados no curta-metragem, assim como, os medos, dores e alegrias de viver em uma periferia de São Paulo. “A gente nunca vai esperar que a polícia vai ter a reação de atirar em um menino, ele não estava armado”, diz Erika em uma das cenas do curta-metragem.

A Mostra Taturana de Cinema Negro – democracia e antirrascismo, que recebe o apoio nessa edição do Centro Universitário FMU-FIAMFAAM, representa uma possibilidade de romper com modelos hegemônicos que mantém opressões em cima de um grupo determinado, seja ele, racial, de gênero ou indígena, mas que em sua abertura apresentou o que vem pela frente, uma série de debate e análises de curtas que terão um objetivo, romper as barreiras do cinema tradicional. “A Taturana, é quase como se fosse refundada no coletivo e que este coletivo tem se pensado em um sentido mais horizontal, e mais diversa dentro do cenário do audiovisual”, complementa Livia Almendary, cofundadora e diretora do Instituto Taturana.

*Aluna do 4º semestre de Jornalismo.

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