Debate que ocorreu na última quinta-feira,18, trata sobre heranças deixadas pelos antepassados

Myllene Jesus*

O mês da Consciência Negra 2021, realizado pelo NERA (Núcleo de Estudos Étnicos Raciais), em seu terceiro dia da mostra Taturana de Cinema Negro – democracia e antirrascismo, recebeu a professora Tainah Negreiros, que é PhD em Meios e Processos Audiovisuais pela Universidade de São Paulo.

Em sua segunda sessão a mostra exibiu os curtas, Pontes sobre Abismos, de Aline Motta e Filhas de Lavadeiras, de Edileuza Penha de Souza, ambos retratam o poder da ancestralidade na vida de uma geração que tem seu futuro tocado pelo passado.

Filhas de Lavadeiras, apresenta histórias de mulheres negras que por meio do trabalho de suas mães, puderam estudar e refazer os caminhos antes trilhados por elas. Apresenta um roteiro de filhas que contam as batalhas, alegrias, memórias e dores que suas mães enfrentaram para possibilitar um novo destino a elas. “Eu vejo filmes com direção de mulheres negras como um vetor para o futuro. Vetores que dizem: ‘Nós estamos criando um caminho para a história do Brasil”, diz Tainah Negreiros.


professora Tainah Negreiros

Pontes sobre Abismos, de Aline Motta, narra o segredo de família da própria diretora que, a partir da revelação do segredo, parte para a procura de vestígios de seus antepassados. É um curta extradiegético, ou seja, a narradora (que é a Aline), não participa do conto, a não ser em alguns pontos, mas mesmo assim apresenta algo que leva à reflexão do que seria a ancestralidade do brasileiro, uma nação que tem uma pluralidade étnica exuberante.  “Um dia minha vó me disse que ia me contar um segredo. Ela disse: ‘Eu nunca conheci meu pai. Ele nunca me reconheceu como filha. O nome do meu pai é Enzo.”, trecho retirado do curta-metragem.

Os dois curtas-metragens complementam um ao outro, o que Filhas de Lavadeiras não apresenta, Pontes sobre Abismos exibe. Correlacionando os temas sem se tornarem iguais, os dois são curtas contemporâneos que animam o telespectador a perceber o futuro por trás da ancestralidade. “Cada cena tem suas rupturas, em Filhas de Lavadeiras é a educação e o compreensão de uma história-memória, em Pontes sobre Abismos é promovido um mosaico, que em geral, é a forma mnemônica de se apresentar”, conclui Tainah Negreiros.

  • Aluna do 4º semestre de Jornalismo.

Leave comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *.