Especialistas comentam sobre a experiência de terem levado o projeto ao desfile do São Paulo Fashion Week

Alan Felipe Martins Durães*

No terceiro e último dia da Semana da Consciência Negra, Rafael Silvério e Cintia Felix, apresentaram o trabalho desenvolvido por eles no Projeto Sankofa. O bate-papo foi mediado por Tayane Nicácio, que é aluna do 6º semestre do curso de moda da FMU, além disso, ela trabalha na editoria de moda da revista Capricho.

Integrante do projeto, Cintia Felix, começou a trabalhar com moda desde muito cedo. Hoje ela é figurinista de teatro, fundadora e idealizadora da marca A-Z Marias (marca de slow fashion que transforma resíduos têxteis em roupas). Já Rafael Silvério é graduando em desenho de moda e um dos idealizadores do projeto. Além disso, ele explicou um pouco sobre a VAMO, que é um movimento inter-racial que trabalha o antirracismo na moda.

Por outro lado, Cintia comentou que decidiu criar o projeto A-Z Marias após insatisfações com o mercado da moda. Foi então que, após um acordo trabalhista, ela deixou o antigo emprego e deu início ao seu projeto em questão com os tecidos disponibilizados, em acordo, com a antiga empresa. No projeto é oferecido treinamento gratuito as costureiras para que elas saibam precificar a sua mão de obra. Além disso, eles criam roupas para pessoas com ‘corpos reais’, ou seja, corpos com simetria de barriga, de bumbum, de seios. Além disso, o pilar ambiental do A-Z Marias é o de criar roupas com resíduos têxteis. Tudo que a indústria gera, produz e não vende e fica parado no estoque, o projeto compra e transforma num produto.

Ações de combate ao racismo na indústria da moda

Após o assassinato de George Floyd nos EUA, começaram a surgir alguns movimentos na moda, como o projeto Pretos na Moda, que deseja acabar com o racismo na indústria.

Cintia acredita que o que falta na moda é olhar para as pessoas, para que a gente possa entender depois essa roupa. Pois primeiro, é o corpo que tem que ter a centralidade. A ideia principal é democratizar o a acesso e que todas as pessoas sejam contempladas. “Eu acredito que a moda precisa dos corpos plurais, outras narrativas, e contar outras histórias”.

Rafael explicou como foi levar o Projeto Sankofa as passarelas do São Paulo Fashion Week (SPFW). Sobre o processo de criação, diz que gosta de criar em cima do corpo feminino. A ideia é trazer a dimensão da roupa de um corpo feminino para dentro de um corpo masculino. Ele decidiu que os modelos utilizassem uma maquiagem sem gênero e que acompanhassem e contemplassem o corpo de cada um.

Cintia teve como inspiração para a apresentação de sua coleção no desfile, Lélia Gonzalez, que foi uma pessoa que contribuiu muito para as discussões de gênero das mulheres brasileiras e o recorte delas. O que ela mais queria era levar para a passarela um momento de conforto e celebração.

Para Rafael, a gente tem que fazer com que a mídia de moda tradicional entenda a linguagem que está sendo dita, ao mesmo tempo em que é feito um exercício de convencer esses jornalistas que foram negados por muito tempo. De acordo com ele, a comunicação precisa se expandir e entender essa moda preta e plural.

*Aluno do 6º semestre de Jornalismo.

Leave comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *.